segunda-feira, 25 de abril de 2016

LIÇÃO 05 – A MARAVILHOSA GRAÇA (Rm 6.1-12)



INTRODUÇÃO

Nesta lição, veremos que a situação espiritual do homem, quer seja judeu ou gentio, destacada por Paulo na epístola
aos Romanos é de pecado generalizado. Todavia, Deus soberanamente decidiu, por sua graça, manifestar a salvação através
de Cristo Jesus. Pontuaremos as duas principais deturpações e as devidas refutações quanto a compreensão da graça que
surgiu na história da igreja; e, por fim, destacaremos ainda que, somente pela graça o homem pode ser salvo.

I – A SITUAÇÃO DO HOMEM E A MANIFESTAÇÃO DA GRAÇA DE DEUS
1.1 A condição pecaminosa dos judeus e gentios. Na epístola aos Romanos, o apóstolo Paulo apresenta a situação geral
do gênero humano: “Ninguém é justo diante de Deus” (Rm 3.10-18). Portanto, os judeus não são melhores que os gentios,
pois ambos “estão debaixo do pecado” (Rm 3.9). Diversas passagens do AT mostram essa triste realidade (Is 59.4-8;
Ec 7.20; Sl 14.2-3; 53.2-3), pois todos estão corrompidos e precisam de um Salvador (Rm 3.13-18; Sl 5.9; 10.2-8; 36.1; Is
59:7-8). Em Adão todos pecaram (Rm 5.12), e consequentemente, estão destituídos da glória de Deus (Rm 3.23);
condenados (Rm 5.16); e, mortos (Rm 6.23-a).
1.2 A perfeição da Lei e a imperfeição do homem. Deus deu a Lei natural aos gentios (Rm 2.14) e a Lei de Moisés ao
povo de Israel (Rm 9.4), ambas condenaram ambos os povos (Rm 2.14; 23-25). Referindo-se especificamente ao Decálogo
(Dez Mandamentos), Paulo diz que: “o mandamento é santo, justo e bom” (Rm 7.12). Todavia, o homem não tem
condições de cumprir a Lei, por causa de seu estado de pecado (Rm 7.14-21). Aliás, quando forneceu a Lei ao homem,
Deus não tinha o propósito de que por ela, o pecador viesse a ser salvo, por isso, ele instituiu sacrifícios, porque sabia da
fragilidade humana (Lv 1.5; 16.33). Na verdade a Lei, segundo Hoff (1995, p. 66) foi dada com três objetivos: (a)
Proporcionar uma norma moral aos homens (Êx 19.4-6; 20.1-17); (b) demonstrar a natureza e o caráter de Deus (Lv
11.44,45; 19.2; 20.7,26; 21.8); e, (c) Mostrar à humanidade seu estado pecaminoso e revelar que, só pela graça, podemos
ser salvos (Rm 3.20; Gl 3.24,25).
1.3 A manifestação da salvação pela graça. Se o gentio e o judeu são igualmente culpados diante de Deus e não podem
por si mesmos serem justos, como poderá o homem ser salvo? Paulo nos responde: “Porque o salário do pecado é a morte,
mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 6.23). Embora o homem merecesse a
separação eterna de Deus por causa de sua rebeldia deliberada, por sua graça, ou seja favor imerecido, Deus revolveu
conceder gratuitamente a vida eterna aqueles que não merecem. Portanto “a graça divina é, então, Deus mesmo renunciando
ao exercício do justo castigo por sua livre e soberana decisão” (ALMEIDA, 1996, p. 28).

II – A GRAÇA DE DEUS E AS DETURPAÇÕES
Desde o primeiro século da igreja até os dias atuais o ensino sobre a graça de Deus tem sofrido deturpações (Rm
1.25; 2Pe 3.15,16). Há aqueles que acham que o homem não pode ser salvo apenas pela graça, fazendo-se necessário a
guarda da Lei (At 15.1,5); e a outros que acreditam que, já que somos salvos pela graça, independente das obras, nada que
façamos de mal depois de salvos poderá nos fazer perder esta salvação (Rm 6.1). Abaixo destacaremos pelos menos dois
principais grupos que deturparam este precioso ensino. Vejamos:
2.1 O Legalismo defendido pelos judaizantes. “Os judaizantes foi um movimento surgido nas primeiras décadas da Igreja
Cristã, cujo objetivo era forçar os crentes gentios a observar a Lei de Moisés (legalismo), principalmente a Lei cerimonial,
que incluía: a prática da circuncisão, a abstinência de alguns alimentos e a guarda do sábado e dias tidos como especiais (Cl
2.16-23). Na verdade, esse movimento pretendia reduzir o Cristianismo a uma mera seita judaica” (ANDRADE, 2006, p.
242). Contra esta pretensão, que contrariava frontalmente a Nova Aliança, levantou-se Paulo veementemente em suas cartas
(Rm 3.28; Gl 2.16; 3.11; 3.24). Os modernos defensores do novo legalismo procuram enganar os incautos com citação de
textos bíblicos isolados, os quais eles torcem em favor de seus pontos de vista. Portanto, as leis do Antigo Pacto destinadas
diretamente a nação de Israel, tais como: as leis sacrificiais, cerimoniais, sociais ou cívicas (Lv 1.2-3; 24.10), já não são
obrigatórias para quem está no Novo Pacto (Cl 2.16-17; At 15.24-29; Hb 10.1-4).
2.2 O Antinomismo defendido pelos gentios. Em Romanos 6.1 o apóstolo Paulo faz a seguinte pergunta: “Que diremos
pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde?”. Em seguida ele responde: “De modo nenhum” (Rm 6.2-
a). “Paulo destrói a aparente lógica desse argumento apontando que o desejo de continuar pecando (uma vez que o perdão
de Deus esta garantido) mostra que o indivíduo não entendeu o significado da graça ou a gravidade do pecado”

(TOKUMBOH, 2010, p. 1395). Alguns intérpretes da Bíblia alegam que esta pergunta de Paulo foi formulada porque certos
grupos libertinos, levaram seus ensinamentos ao extremo, por exemplo o da justificação pela fé independente das obras
(Rm 3.28). Estes afirmavam que, desde que uma pessoa tivesse fé em Cristo (isto é, cresse nas coisas certas a respeito de
sua divindade e em sua obra realizada para conceder perdão), não importaria se os atos dela fossem bons ou maus. Aqueles
que pensam dessa forma são chamado de antinomistas. A palavra Antinomismo “Do grego “anti” que significa: “contra”, e
“nomos”, “lei”. Alegam os antinomistas que, salvos pela fé em Cristo Jesus, já estamos livres da tutela de Moisés.
Ignoram, porém, serem as ordenanças morais do Antigo Testamento pertencentes ao elenco do direito natural que o Criador
incrustara na alma de Adão. Todo crente piedoso os observa; pois o Cristo não veio ab rogá-los; veio cumpri-los e sublimá-
los” (ANDRADE, 2006, p. 51 – acréscimo nosso).

III – SOMENTE PELA GRAÇA O SER HUMANO PODE SER SALVO
O apóstolo Paulo foi o principal instrumento humano para transmitir o pleno significado da graça em Cristo. Não é
de admirar que mais tarde ele viesse a ser conhecido como “o apóstolo da graça”. Com maestria, ele nos fala sobre a graça
de Deus na epístola aos Romanos de forma abundante (Rm 1.5,7; 3.24; 4.4,16; 5.2; 5.15,17,18; 5.20; 5.21; 11.6). No NT, a
palavra graça no grego é “charis”, que indica “graciosidade, favor”. Abaixo destacaremos algumas verdades sobre este
maravilhoso favor segundo a teologia paulina:
3.1 A graça é um ato soberano (Rm 1.7; 5.15; Tt 2.11). Nos referidos textos, Paulo nos diz que a graça procede
soberanamente de Deus. Isto porque o favor lhe pertence e vem dEle, como sua fonte originária (I Co 15.10; I Pe 5.10).
Segundo a Bíblia Deus manifestou a sua graça em toda a sua plenitude na Pessoa de Seu Filho, Jesus Cristo (II Co 8.9;
13.13; Gl 1.6; 6.18; Ef 2.7; Fp 4.23; Ap 22.21). “A expressão 'manifestar' no original se relaciona ao substantivo
'epifania', ou seja, 'aparecimento' ou 'manifestação' (por exemplo, do sol ao amanhecer). A graça de Deus surgiu
repentinamente sobre os que estavam nas trevas e na sombra da morte (Ml 4.2; Lc 1.79; At 27.20; Tt 3.4)”

(HENDRIKSEN, 2001, p. 453).
3.2 A graça é imerecida (Rm 3.24; 11.6; Ef 2.5.7-8). A palavra traduzida como graça significa “favor imerecido”. Para
falar sobre este favor imerecido ao pecador, Paulo usa a seguinte argumentação: “Ora, àquele que faz qualquer obra não
lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que
justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” (Rm 4.4,5). Nestes versículos, o apóstolo deixa claro que a
salvação é concedida ao homem sem ele merecer. Não há nada que o homem faça para o tornar digno de ser salvo, pois a
graça aniquila qualquer obra que visa receber a salvação por mérito “Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef
2.9). Segundo Soares (p. 76) “A graça é o favor imerecido de Deus para com o pecador; é a bondade para quem apenas
merece o castigo”.
3.3 A graça é suficiente (Rm 3.24; Ef 2.8). Paulo nos mostra que a Lei não é suficiente para salvar o homem. Até porque
seu propósito é revelar o pecado e não extirpá-lo (Rm 7.7). Todavia, a graça de Cristo faz por nós aquilo que a Lei nunca
poderia. Um dos pontos da Reforma Protestante é o “sola gratia” que diz que embora a fé seja o caminho dado por Deus
para a salvação, não é ela quem nos salva, mas a graça “Porque pela graça sois salvos” (Ef 2.8-a). Lutero refutou o ensino
católico romano da salvação pelas obras, alegando com base no que diz a Bíblia, que é pela graça, o favor imerecido de
Deus, que ele nos concede a bênção da salvação (At 15.11; Rm 11.6).
3.4 A graça não faz acepção (Rm 1.16; 3.29; 9.24). Desde o início, a proposta divina sempre foi estender a bênção da
salvação a todos os homens indiscriminadamente (Gn 12.3; Gl 3.8). É errôneo pensar embora “todos pecaram” (Rm 3.23),
somente os eleitos serão salvos. Em Tito 2.11 Paulo diz “[...] a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a
todos os homens”. A vinda do Messias mostra claramente que, Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34; Rm 2.11; Ef
6.9; I Pe 1.17). Portanto, a graça de Deus que nos é oferecida mediante o evangelho, é derramada sobre todos em pé de
igualdade, ou seja ela alcança tanto judeus como gentios (Gl 3.14; Ef 3.6).
3.5 A graça pode ser resistida (At 18.5,6). A ideia de que a graça é irresistível está ligada a Agostinho. “De acordo com
ele, a graça de Deus atua incondicional e irresistivelmente nos eleitos, garantindo a salvação deles, produzindo a reação
favorável dos homens para com o evangelho e garantindo que essa reação seja absolutamente completa e eficaz”
(CHAMPLIN, 2004, p. 957). A Bíblia, no entanto, nos mostra que o homem pode por seu livre arbítrio aceitar ou rejeitar o
plano divino para a sua salvação (At 4.4; 9.42; 17.4; Hb 3.15; 4.7). O povo de Israel é a maior prova de que a graça não é
irresistível, pois o apóstolo João diz: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1.11). Jesus quando estava
em frente ao Monte das Oliveiras declarou: “Jerusalém, Jerusalém, [...] quantas vezes QUIS EU ajuntar os teus filhos,
[...] e TU NÃO QUISESTE!” (Mt 23.37). Confira ainda: (At 7.51; 18.6).
CONCLUSÃO
Apesar da queda da raça humana, Deus, por sua maravilhosa graça decidiu soberanamente salvar o homem caído
em pecado, por meio de Jesus Cristo. Esta graça alcança a todos os homens indistintamente e apesar de nos salvar
independente das obras, nos impele a uma vida de santificação que é a evidência visível da salvação.

REFERÊNCIAS
• ALMEIDA, Abraão de. O Sábado, a Lei e a Graça. CPAD.
• ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. CPAD.
• CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
• HOFF, Paul. O Pentateuco. VIDA.
• TOKUMBOH, Adeyemo. Comentário Bíblico Africano. MUNDO CRISTÃO.

FONTE: Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco


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