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quarta-feira, 4 de maio de 2016

Hino SUGERIDO

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LIÇÃO 6 - ROMANOS - A LEI A CARNE E O ESPÍRITO - EV FABIO SEGANTIN

Pré-aula_Lição 6: A lei, a carne e o espírito

Lição 6 A Lei,a Carne e o Espírito

INTRODUÇÃO
RM:7:1-15
Na lição de hoje estudaremos o papel do cristão em relação à Lei, a carne e o Espírito. Paulo apresenta um estudo a respeito desses temas no capítulo sete. Ele se utiliza de três analogias para discorrer sobre os assuntos: a analogia do casamento, a analogia de Adão no paraíso e a analogia da carne versus o espírito.

I - AS TRÊS ANALOGIAS DE ROMANOS 7
Romanos 7 é um dos capítulos de maior complexidade para se interpretar de toda a Bíblia. A lei tem domínio sobre o homem durante toda a sua vida. Vejamos três analogias que o apóstolo usa:

1.1 A analogia do casamento  (Rm 7.1-6). Paulo compara a lei com um marido e os crentes com uma esposa e usou o casamento para mostrar o nosso relacionamento com a Lei. Paulo usa a analogia da morte de um cônjuge no casamento para ilustrar a morte do crente para a lei, pelo fato de ele estar unido com Cristo (Rm 7.1-6). Isto significa que tendo “morrido” somos exonerados de toda obrigação e dever para com a Lei, e que ficamos livres para nos “casar” novamente. Desta vez nos casamos, não com a Lei, mas com Cristo (BARCLAY, sd, p. 102). A culpa não é do marido (a Lei), pois é perfeito, santo, justo e bom. O problema é que essa esposa (homem) nunca consegue agradá-lo, pois é imperfeita, carnal, rendida ao pecado e sempre frustra as expectativas do marido. Na metáfora do casamento, o marido morre e a esposa casa-se novamente. No caso em apreço, contudo, não é o marido quem morre (a lei), mas a esposa (o crente). O crente morre ao identificar-se com Cristo na sua morte. Assim como a morte do marido liberta a esposa do vínculo pela morte de Cristo recebemos nossa libertação de todas as exigências da lei (LOPES, 2010, p. 259).

1.2 A analogia de Adão (Rm 7.6-13). Paulo se via em Adão mostrando que ele é o cabeça e representante da raça humana. Logo, é o objetivo do apóstolo vincular a desobediência de Adão a toda humanidade, pois, Paulo mostra que ele é o cabeça e representante da raça humana, e, se Adão pecou, logo todos pecaram. As palavras de Paulo "eu vivi sem lei" (Rm 7.9), só têm sentido se aplicado na vida do primeiro homem, pois Paulo como fariseu e judeu que era vivia a lei desde a infância (2Tm 3.15). Paulo explica que como descendência de Adão estamos em ruína (Rm 5.9), em pecado (Rm 5.12,15,21), mortos (Rm 5. 12,16,21), separados de Deus (Rm 5.18), em desobediência (Rm 5.12,19) e em punição (Rm 5.18). 

1.3 A analogia da carne versus o espírito (Rm 7.14-25). Paulo faz uma analogia para mostrar a luta da carne com o Espírito falando de um conflito entre a nossa “nova natureza” em Cristo e o “velho homem” residente em nós. Paulo chama a atenção para o viver "em novidade do Espírito" (Rm 7.6) como forma de vencer as inclinações da carne. Esse conflito é inevitável, pois, duas leis se chocam, a lei do pecado e a lei de Deus. Podemos chamá-las de “lei carnal e lei espiritual”. O campo de batalha entre essas duas forças é interior ao homem e o apóstolo declara que o problema não está na Lei de Deus, mas na natureza pecaminosa do homem. Essa escravidão envolve toda a personalidade do homem (CABRAL, 2005, pp 85,86).

II - A MORTE DE CRISTO E A MORTE DA LEI    

2.1 A analogia da “morte” para a Lei (Rm 7.1-11). A apóstolo Paulo fala sobre esta “morte para a Lei (Rm 7.4-6). Estar em Cristo e “estar morto para a lei” aponta para uma mesma condição diante de Deus, ou seja, uma nova criatura. Dizer que o cristão está “em Cristo” é dizer que ele é uma nova criatura. Dizer que o cristão está “morto para a lei” é o mesmo que dizer: você é uma nova criatura (2Co 5.17 ).

2.2 A lei do matrimônio e a Lei de Deus. Como já vimos acima, um cônjuge não está mais ligado pela lei matrimonial com o consorte falecido. A morte liberta a ele ou a ela dessa lei e semelhantemente, a morte de Cristo, que compartilhamos em nossa união com Ele, nos liberta de todas as obrigações legais constantes na Lei de Deus. Com esta analogia, Paulo mostra que os salvos em Cristo, pela fé, já estão livres da lei do pecado e agora pertencem a Jesus Cristo. Em Cristo, estamos “mortos” para a lei do pecado (RICHARDS, 2012, p. 743).

2.3 A analogia da morte de Cristo e a nova condição dos homens como livres da lei e do pecado. Foi através do corpo humano que Deus preparou para o seu Filho (Hb 10.5), que os cristãos passaram a estar mortos para a Lei. Quando Paulo faz referência ao corpo de Cristo, ele está fazendo referência à morte de Cristo, ou seja, ao corpo que foi apresentado imaculado como oferta a Deus. Deste modo, por causa do corpo de Cristo, que foi entregue pelos pecadores, os cristãos estão mortos para a lei (2Co 5.14,15). Ora, foi através da oferta do corpo de Cristo que os cristãos deixaram a condição de “velha criatura” e passaram à condição de “nova criatura” (Hb 10.10). Os cristãos andam em novidade de vida porque ressurgiram com Cristo, ou seja, só é possível ‘andar em novidade de vida’ quando se vive no Espírito, ou seja, após morrer e ressurgir com Cristo (Rm 6.4; Gl 5.25).

III - A SANTIDADE DA LEI
O apóstolo levanta duas perguntas importantes sobre o caráter da lei: A lei é pecado? (Rm 7.7). E a causadora da morte? (Rm 7.13). Ambas as perguntas têm a mesma resposta: “De modo nenhum!” (Rm 7.7,13). Diante do exposto, levantamos dois pontos:
3.1 Em primeiro lugar, as virtudes da lei (Rm7.12). A lei é santa e o mandamento, santo, justo e bom. Em si mesma a lei é valiosa e esplêndida. O significado básico do termo hagios, “santo”, é diferente. Descreve o que provém de uma esfera alheia a este mundo, algo que pertence a um campo que está mais além da vida e da existência humana. A lei é também justa. E ela que estabelece todas as relações, humanas e divinas. Finalmente, Paulo diz que a lei é boa, ou seja, foi promulgada para promover o supremo bem. Na qualidade de santa, justa e boa, a lei reflete o caráter de Deus, sendo a cópia de suas perfeições. 

3.2 Em segundo lugar, a malignidade do pecado (Rm 7.13). A lei não é a causadora da morte, mas sim o pecado, assim como o problema de um criminoso não é a lei, mas sua transgressão. Ao exigir de mim o que não faço, a lei me condena e me leva à morte. A lei não me deu poder para fazer o que era certo nem para evitar o que era errado. Mas não há falha na lei; a falha está em mim que não consigo obedecer. Desta forma, a lei revela a gravidade do meu pecado, que produz a morte. Sendo santa, a lei mostra o caráter maligníssimo do meu pecado. 

IV - O MINISTÉRIO DA LEI
Se a lei não é pecado (Rm 7.7) nem provoca a morte (Rm 7.13), qual é seu papel? Qual é seu ministério? Qual é seu propósito? Paulo oferece três respostas:

4.1 Em primeiro lugar, o propósito da lei é revelar o pecado (Rm 7.7). O pleno conhecimento do pecado vem pela lei (Rm 3.20). A lei é um espelho que revela o ser interior e mostra como somos imundos (Tg 1.22-25). É como um prumo que mostra a sinuosidade da nossa vida. E como um raio-X que diagnostica os tumores infectos da nossa alma. A lei detecta as coisas ocultas na escuridão e as arrasta à luz do dia. É a lei que destampa o fosso do nosso coração e traz à tona a malignidade do nosso pecado.

4.2 Em segundo lugar, o propósito da lei é despertar o pecado (Rm 7.8). A lei não só expõe o pecado, mas também o estimula e o desperta. Tudo o que é proibido desperta em nós desejo imediato. O pecado encontra no mandamento uma base para despertar em nós toda sorte de desejos. A lógica de Paulo é irrefutável: sem lei, está morto o pecado (Rm 7.8). Onde não há proibição, não há transgressão. Sem lei, o pecado não pode ser caracterizado juridicamente (Rm 5.13). Unicamente pelo encontro com a lei o pecado se torna passível de ação judicial. No entanto, pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.

4.3 Em terceiro lugar, o propósito da lei é condenar o pecado (Rm 7-9-11). Onde não há lei, também não há transgressão. Por isso, sem lei o homem tem a sensação de que está vivo. A expressão de Paulo: “Sem a lei, eu vivia”. A palavra “vivia” não pode ter o sentido de vida eterna ou de vida para Deus. Paulo falava sobre a vida baseada na justiça própria, sem perturbações e autocomplacente, que ele levava antes de agirem sobre ele as comoções turbulentas e a convicção de pecado descritas nos versículos anteriores. O propósito da lei não é matar, mas dar vida. Contudo, aquilo que era destinado a nos dar vida nos matou, porque o pecado, prevalecendo-se do mandamento, pelo mesmo mandamento nos enganou e nos matou. Assim, o propósito da lei não é apenas revelar e despertar o pecado, mas também condená-lo.

V - O ESPÍRITO E A NOVIDADE DE VIDA

5.1 Somente após o homem ser gerado de novo através da fé em Cristo é possível servir a Deus em espírito. Paulo demonstra que os judeus não serviam a Deus, antes, só tinham zelo, porém, sem entendimento (Rm 10.2). Por quê? Porque só é possível servir a Deus em espírito e em verdade, ou seja, quando o homem é gerado do Espírito, é o mesmo que ser circuncidado no coração. Somente em Cristo é possível ao homem alcançar a condição de servir a Deus em espírito (Jo 4.23). A condição “em espírito” só é possível quando o homem é gerado de Deus (Jo 3.6). 

5.2 Somente após o homem “morrer” para o que estava retido (a Lei) é possível servir a Deus em espírito. Através da circuncisão do coração! Quando Moisés apregoou a circuncisão do coração ao povo de Israel, tal circuncisão só era possível através da fé em Deus, Aquele que tem o poder de circuncidar o coração, ou seja, Ele transforma o homem gerado em Adão e concede um novo coração (Dt 30.6). Somente após alcançar novo coração (novo nascimento) o homem compreende a Palavra de Deus (Dt 29.4).

5.3 A lei de Moisés (velhice da letra) não poderia proporcionar o novo nascimento. O objetivo de terem morrido para a lei, ou antes, morrido com Cristo é para servirem a Deus com um novo espírito e um novo coração (Ez 36.25-27). Ora, o novo coração e o novo espírito só são possíveis alcançar através da regeneração em Cristo. Somente o evangelho de Cristo, que é a “água limpa aspergida pelo Espírito Eterno”, faz nascer o novo homem para louvor de sua glória (Jo 3.5; Ez 36.26). É através do evangelho que o homem recebe poder para ser criado em verdadeira justiça e santidade (Jo 1.12; Ef 4.24). Ao escrever aos cristãos de Coríntios (2Co 5.17). Paulo aponta a nova condição dos cristãos efetiva no presente. Ora, se alguém (sujeito indeterminado) está (presente) em Cristo (condição), é uma nova criatura.

CONCLUSÃO   
O crente justificado é sepultado pela morte para o pecado e surge para uma nova vida em Cristo, uma nova disposição na relação com Deus. Uma nova identidade, não mais relacionada ao primeiro Adão, mas da descendência de Cristo, o segundo Adão, e membro de sua família. Esta nova vida, não significa que o crente nunca mais irá pecar, mas que não viverá na prática do pecado, como seu escravo. 

 Fonte AD Pernambuco

segunda-feira, 25 de abril de 2016

LIÇÃO 05 – A MARAVILHOSA GRAÇA (Rm 6.1-12)



INTRODUÇÃO

Nesta lição, veremos que a situação espiritual do homem, quer seja judeu ou gentio, destacada por Paulo na epístola
aos Romanos é de pecado generalizado. Todavia, Deus soberanamente decidiu, por sua graça, manifestar a salvação através
de Cristo Jesus. Pontuaremos as duas principais deturpações e as devidas refutações quanto a compreensão da graça que
surgiu na história da igreja; e, por fim, destacaremos ainda que, somente pela graça o homem pode ser salvo.

I – A SITUAÇÃO DO HOMEM E A MANIFESTAÇÃO DA GRAÇA DE DEUS
1.1 A condição pecaminosa dos judeus e gentios. Na epístola aos Romanos, o apóstolo Paulo apresenta a situação geral
do gênero humano: “Ninguém é justo diante de Deus” (Rm 3.10-18). Portanto, os judeus não são melhores que os gentios,
pois ambos “estão debaixo do pecado” (Rm 3.9). Diversas passagens do AT mostram essa triste realidade (Is 59.4-8;
Ec 7.20; Sl 14.2-3; 53.2-3), pois todos estão corrompidos e precisam de um Salvador (Rm 3.13-18; Sl 5.9; 10.2-8; 36.1; Is
59:7-8). Em Adão todos pecaram (Rm 5.12), e consequentemente, estão destituídos da glória de Deus (Rm 3.23);
condenados (Rm 5.16); e, mortos (Rm 6.23-a).
1.2 A perfeição da Lei e a imperfeição do homem. Deus deu a Lei natural aos gentios (Rm 2.14) e a Lei de Moisés ao
povo de Israel (Rm 9.4), ambas condenaram ambos os povos (Rm 2.14; 23-25). Referindo-se especificamente ao Decálogo
(Dez Mandamentos), Paulo diz que: “o mandamento é santo, justo e bom” (Rm 7.12). Todavia, o homem não tem
condições de cumprir a Lei, por causa de seu estado de pecado (Rm 7.14-21). Aliás, quando forneceu a Lei ao homem,
Deus não tinha o propósito de que por ela, o pecador viesse a ser salvo, por isso, ele instituiu sacrifícios, porque sabia da
fragilidade humana (Lv 1.5; 16.33). Na verdade a Lei, segundo Hoff (1995, p. 66) foi dada com três objetivos: (a)
Proporcionar uma norma moral aos homens (Êx 19.4-6; 20.1-17); (b) demonstrar a natureza e o caráter de Deus (Lv
11.44,45; 19.2; 20.7,26; 21.8); e, (c) Mostrar à humanidade seu estado pecaminoso e revelar que, só pela graça, podemos
ser salvos (Rm 3.20; Gl 3.24,25).
1.3 A manifestação da salvação pela graça. Se o gentio e o judeu são igualmente culpados diante de Deus e não podem
por si mesmos serem justos, como poderá o homem ser salvo? Paulo nos responde: “Porque o salário do pecado é a morte,
mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 6.23). Embora o homem merecesse a
separação eterna de Deus por causa de sua rebeldia deliberada, por sua graça, ou seja favor imerecido, Deus revolveu
conceder gratuitamente a vida eterna aqueles que não merecem. Portanto “a graça divina é, então, Deus mesmo renunciando
ao exercício do justo castigo por sua livre e soberana decisão” (ALMEIDA, 1996, p. 28).

II – A GRAÇA DE DEUS E AS DETURPAÇÕES
Desde o primeiro século da igreja até os dias atuais o ensino sobre a graça de Deus tem sofrido deturpações (Rm
1.25; 2Pe 3.15,16). Há aqueles que acham que o homem não pode ser salvo apenas pela graça, fazendo-se necessário a
guarda da Lei (At 15.1,5); e a outros que acreditam que, já que somos salvos pela graça, independente das obras, nada que
façamos de mal depois de salvos poderá nos fazer perder esta salvação (Rm 6.1). Abaixo destacaremos pelos menos dois
principais grupos que deturparam este precioso ensino. Vejamos:
2.1 O Legalismo defendido pelos judaizantes. “Os judaizantes foi um movimento surgido nas primeiras décadas da Igreja
Cristã, cujo objetivo era forçar os crentes gentios a observar a Lei de Moisés (legalismo), principalmente a Lei cerimonial,
que incluía: a prática da circuncisão, a abstinência de alguns alimentos e a guarda do sábado e dias tidos como especiais (Cl
2.16-23). Na verdade, esse movimento pretendia reduzir o Cristianismo a uma mera seita judaica” (ANDRADE, 2006, p.
242). Contra esta pretensão, que contrariava frontalmente a Nova Aliança, levantou-se Paulo veementemente em suas cartas
(Rm 3.28; Gl 2.16; 3.11; 3.24). Os modernos defensores do novo legalismo procuram enganar os incautos com citação de
textos bíblicos isolados, os quais eles torcem em favor de seus pontos de vista. Portanto, as leis do Antigo Pacto destinadas
diretamente a nação de Israel, tais como: as leis sacrificiais, cerimoniais, sociais ou cívicas (Lv 1.2-3; 24.10), já não são
obrigatórias para quem está no Novo Pacto (Cl 2.16-17; At 15.24-29; Hb 10.1-4).
2.2 O Antinomismo defendido pelos gentios. Em Romanos 6.1 o apóstolo Paulo faz a seguinte pergunta: “Que diremos
pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde?”. Em seguida ele responde: “De modo nenhum” (Rm 6.2-
a). “Paulo destrói a aparente lógica desse argumento apontando que o desejo de continuar pecando (uma vez que o perdão
de Deus esta garantido) mostra que o indivíduo não entendeu o significado da graça ou a gravidade do pecado”

(TOKUMBOH, 2010, p. 1395). Alguns intérpretes da Bíblia alegam que esta pergunta de Paulo foi formulada porque certos
grupos libertinos, levaram seus ensinamentos ao extremo, por exemplo o da justificação pela fé independente das obras
(Rm 3.28). Estes afirmavam que, desde que uma pessoa tivesse fé em Cristo (isto é, cresse nas coisas certas a respeito de
sua divindade e em sua obra realizada para conceder perdão), não importaria se os atos dela fossem bons ou maus. Aqueles
que pensam dessa forma são chamado de antinomistas. A palavra Antinomismo “Do grego “anti” que significa: “contra”, e
“nomos”, “lei”. Alegam os antinomistas que, salvos pela fé em Cristo Jesus, já estamos livres da tutela de Moisés.
Ignoram, porém, serem as ordenanças morais do Antigo Testamento pertencentes ao elenco do direito natural que o Criador
incrustara na alma de Adão. Todo crente piedoso os observa; pois o Cristo não veio ab rogá-los; veio cumpri-los e sublimá-
los” (ANDRADE, 2006, p. 51 – acréscimo nosso).

III – SOMENTE PELA GRAÇA O SER HUMANO PODE SER SALVO
O apóstolo Paulo foi o principal instrumento humano para transmitir o pleno significado da graça em Cristo. Não é
de admirar que mais tarde ele viesse a ser conhecido como “o apóstolo da graça”. Com maestria, ele nos fala sobre a graça
de Deus na epístola aos Romanos de forma abundante (Rm 1.5,7; 3.24; 4.4,16; 5.2; 5.15,17,18; 5.20; 5.21; 11.6). No NT, a
palavra graça no grego é “charis”, que indica “graciosidade, favor”. Abaixo destacaremos algumas verdades sobre este
maravilhoso favor segundo a teologia paulina:
3.1 A graça é um ato soberano (Rm 1.7; 5.15; Tt 2.11). Nos referidos textos, Paulo nos diz que a graça procede
soberanamente de Deus. Isto porque o favor lhe pertence e vem dEle, como sua fonte originária (I Co 15.10; I Pe 5.10).
Segundo a Bíblia Deus manifestou a sua graça em toda a sua plenitude na Pessoa de Seu Filho, Jesus Cristo (II Co 8.9;
13.13; Gl 1.6; 6.18; Ef 2.7; Fp 4.23; Ap 22.21). “A expressão 'manifestar' no original se relaciona ao substantivo
'epifania', ou seja, 'aparecimento' ou 'manifestação' (por exemplo, do sol ao amanhecer). A graça de Deus surgiu
repentinamente sobre os que estavam nas trevas e na sombra da morte (Ml 4.2; Lc 1.79; At 27.20; Tt 3.4)”

(HENDRIKSEN, 2001, p. 453).
3.2 A graça é imerecida (Rm 3.24; 11.6; Ef 2.5.7-8). A palavra traduzida como graça significa “favor imerecido”. Para
falar sobre este favor imerecido ao pecador, Paulo usa a seguinte argumentação: “Ora, àquele que faz qualquer obra não
lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que
justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” (Rm 4.4,5). Nestes versículos, o apóstolo deixa claro que a
salvação é concedida ao homem sem ele merecer. Não há nada que o homem faça para o tornar digno de ser salvo, pois a
graça aniquila qualquer obra que visa receber a salvação por mérito “Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef
2.9). Segundo Soares (p. 76) “A graça é o favor imerecido de Deus para com o pecador; é a bondade para quem apenas
merece o castigo”.
3.3 A graça é suficiente (Rm 3.24; Ef 2.8). Paulo nos mostra que a Lei não é suficiente para salvar o homem. Até porque
seu propósito é revelar o pecado e não extirpá-lo (Rm 7.7). Todavia, a graça de Cristo faz por nós aquilo que a Lei nunca
poderia. Um dos pontos da Reforma Protestante é o “sola gratia” que diz que embora a fé seja o caminho dado por Deus
para a salvação, não é ela quem nos salva, mas a graça “Porque pela graça sois salvos” (Ef 2.8-a). Lutero refutou o ensino
católico romano da salvação pelas obras, alegando com base no que diz a Bíblia, que é pela graça, o favor imerecido de
Deus, que ele nos concede a bênção da salvação (At 15.11; Rm 11.6).
3.4 A graça não faz acepção (Rm 1.16; 3.29; 9.24). Desde o início, a proposta divina sempre foi estender a bênção da
salvação a todos os homens indiscriminadamente (Gn 12.3; Gl 3.8). É errôneo pensar embora “todos pecaram” (Rm 3.23),
somente os eleitos serão salvos. Em Tito 2.11 Paulo diz “[...] a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a
todos os homens”. A vinda do Messias mostra claramente que, Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34; Rm 2.11; Ef
6.9; I Pe 1.17). Portanto, a graça de Deus que nos é oferecida mediante o evangelho, é derramada sobre todos em pé de
igualdade, ou seja ela alcança tanto judeus como gentios (Gl 3.14; Ef 3.6).
3.5 A graça pode ser resistida (At 18.5,6). A ideia de que a graça é irresistível está ligada a Agostinho. “De acordo com
ele, a graça de Deus atua incondicional e irresistivelmente nos eleitos, garantindo a salvação deles, produzindo a reação
favorável dos homens para com o evangelho e garantindo que essa reação seja absolutamente completa e eficaz”
(CHAMPLIN, 2004, p. 957). A Bíblia, no entanto, nos mostra que o homem pode por seu livre arbítrio aceitar ou rejeitar o
plano divino para a sua salvação (At 4.4; 9.42; 17.4; Hb 3.15; 4.7). O povo de Israel é a maior prova de que a graça não é
irresistível, pois o apóstolo João diz: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1.11). Jesus quando estava
em frente ao Monte das Oliveiras declarou: “Jerusalém, Jerusalém, [...] quantas vezes QUIS EU ajuntar os teus filhos,
[...] e TU NÃO QUISESTE!” (Mt 23.37). Confira ainda: (At 7.51; 18.6).
CONCLUSÃO
Apesar da queda da raça humana, Deus, por sua maravilhosa graça decidiu soberanamente salvar o homem caído
em pecado, por meio de Jesus Cristo. Esta graça alcança a todos os homens indistintamente e apesar de nos salvar
independente das obras, nos impele a uma vida de santificação que é a evidência visível da salvação.

REFERÊNCIAS
• ALMEIDA, Abraão de. O Sábado, a Lei e a Graça. CPAD.
• ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. CPAD.
• CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
• HOFF, Paul. O Pentateuco. VIDA.
• TOKUMBOH, Adeyemo. Comentário Bíblico Africano. MUNDO CRISTÃO.

FONTE: Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco